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Title: Elementais
Description: Catalogação enciclopédica


Tomoe - June 14, 2005 01:36 AM (GMT)
“The immense space which lies between Earth and Heaven has inhabitants far nobler than the birds and insects. These vast seas have far other hosts than those of the dolphins and whales; the depths of the earth are not for the moles alone; and the Element of Fire, nobler than the other tree, was not created to remain useless and empty.
The air is full of an innumerable multitude of Peoples, whose faces are human, seemingly rather haughty, yet in reality tractable, great lovers of the sciences, cunning, obliging to the Sages, and enemies of fools and the ignorant. Their wives and daughters have a masculine beauty like that of the Amazons.
(…) Hear me to the end and know that the seas and rivers are inhabited as well as the air. The ancients Sages called this race of people Undines or Nymphs There are very few males among them but a great number of females; their beauty is extreme, and the daughters of men are not to be compared to them.
The earth is filled well-nigh to its centre with Gnomes, people of slight stature, who are the guardians of treasures, minerals and precious stones. They are ingenious, friends of man and easy to govern. They furnish the Children of the Sages with all the money they require, and as the price of their service ask naught save the glory of being commanded. The Gnomides, their wives, are small but very amiable, and their dress is exceedingly curious. As for the Salamanders, flaming dwellers of the Region of Fire, they serve the Philosophers, but do not seek their company eagerly, and their daughters and wives rarely show themselves.”

In Comte de Gabalis





É com estas palavras que o Comte de Gabalis inicia os seus discursos sobre os povos dos elementos no mítico livro de Abbe de Montfaucon de Villars. A existência de vida elemental sempre esteve presente no folclore mundial, independentemente da cultura ou civilização, embora o conceito de “elemento” varie bastante de cultura para cultura estes místicos habitantes são sempre uma constante. Na nossa cultura Ocidental temos como elementos básicos a Agua, Terra, Ar e Fogo, mais recentemente acompanhados pelo Ether ou Espírito (se bem que o “habitante” deste elemento seja o próprio homem), no Oriente existem alguns sistemas diferentes, como o Chinês de Agua, Metal, Madeira, Fogo, e Terra, ou o Japonês, de Terra, Agua, Ar, Fogo e Vazio (de certa forma igual ao Ocidental).
A maneira mais simples (e incompleta) de definir um elemental é talvez pelo conceito latino/romano de “genius loci”, ou génio do local. Ora, um elemental é um ser que habita um local constituído primariamente por um elemento, tipo rios, lagos, montanhas, árvore e essas coisas assim, outra forma possível é a de um ser cujo corpo é constituído primariamente por um elemento. O “genius loci”, eram alvo de adoração local pelos habitantes, erguiam-se altares e templos menores para os agradar e chamar as suas boas influencias, como tal, como também já acontecia na Grécia Antiga, o tema do estudo destas entidades tornou-se de certa forma desenvolvido e complexo, começando a esboçar-se como que uma doutrina em redor dos seus mistérios, que culminou, a meu ver, nos trabalhos de alquimia de Paracelsus e na autentica bíblia do esoterismo que é o Comte de Gabalis.
Embora o Comte fale apenas em um tipo de povo em cada elemento, Gnomos na Terra, Silfos no Ar, Ninfas ou Ondinas na Agua e Salamandras no Fogo, ao longo do tempo e passando pelas varias culturas encontramos imensas “sub-raças” dentro destas categorias, cada uma claramente distinta da outra. Vou portanto apresentar uma lista de seres elementais, mais ou menos bem descritos, em estilo de enciclopédia, que consegui reunir ao longo do tempo, organizados de acordo com o seu elemento. Infelizmente estas listas são apenas referentes a Europa, gostava de encontrar mais informação sobre elementais Indianos, por exemplo, visto nesta cultura existirem inclusive elementais de música, mas como devem imaginar este é um tema muito específico e é difícil encontrar livros sobre ele.
Por enquanto vou apenas abordar o aspecto “físico” e exterior dos elementais, no futuro irei fazer um tópico sobre a natureza da Alma dos povos dos elementos no Board de Esoterismo e Religião, mas para isso ainda tenho de ler bastantes mais livros.
Devo ainda acrescentar que a informação que vou aqui utilizar retirada do livro “Comte de Gabalis” é apenas referente á sua leitura exotérica, a informação contida na sua leitura esotérica (e verdadeira) não será mencionada neste tópico.

Mais uma nota: A maior parte de elementais que vou apresentar são de origem Francesa, ou de países francófonos, visto estes serem os que mais facilmente se consegue adquirir informação. Todas as restantes culturas, incluindo a Portuguesa, parecem ter vergonha nas suas tradições ancestrais e folclóricas, uma profunda tristeza sem duvida…

Tomoe - June 14, 2005 02:03 AM (GMT)
Água:
(alguma desta informação é repetição parcial de um post no tópico das sereias.)


Sereia – Acho que todos conhecem este, mais ou menos. Elemental que habita nos oceanos, meio mulher meio peixe, podendo este acabar em uma ou duas caudas de peixe. A sua pele é de tal forma resistente que relatos dizem que botas poderiam ser feitas desta que durariam três anos. Usam um barrete vermelho chamado “cohulhem druith”, coberto de penas, sem o qual não podem regressar ás águas.
Estas, como se sabe, atraem os homens para debaixo das ondas, onde estes geralmente morrem, aqui os estudiosos começam a discordar, um dizem que estas os comem, outros que dizem antes que estes seres são tão inocentes e desejam de tal forma a companhia de seres humanos que se esquecem que estes não conseguem respirar por debaixo de agua, arrastando-os para a sua morte sem querer.
Existe alguma controvérsia sobre o facto destas cantarem, há quem inclusive diga que são mudas e que a sua capacidade de cantar foi “roubada” ás Sirens (meio mulher meio pássaro) gregas.
O Tritão é um caso delicado, dá-me ideia que este é importado de outras culturas e foi aglutinado no mito da sereia mais tarde, mas independente disso, agora já faz parte de mito. Partilham algum paralelismo com a sereia, sendo o seu torço humano e peixe da cintura para baixo, perseguem incansavelmente mulheres humanas e mantêm as almas dos marinheiros afogados em frascos nos seus palácios subaquáticos.

Sereias Fluviais – Como o nome indica são sereias que habitam os rios, meio mulher meio peixe, cantam belas canções para atrair os homens para as suas aguas para depois os devorarem.

Ondinas – Habitam as aguas doces, o seu corpo é completamente mulher e podem usar roupas como os humanos mas geralmente andam nuas, atraem os homens devido a um estranho magnetismo causado pelos seus olhos, levando-os para os seus palácios subaquáticos, onde dias passam como minutos.
Têm o cabelo louro ou verde-marinho e a cabeça coberta de plantas aquáticas. Levam os jovens para os seus palácios subaquáticos onde os dias passam como minutos. Por vezes têm asas e raramente usam adornos.
O seu habitat preferido são as quedas de água, o seu tamanho pode não ser o mesmo que o humano, quando são mais pequenas têm entre os 10 e os 16 cm.
Ao contrário das sereias do mar estas não cantam, mas gritam com uma entoação selvagem.

(Embora no Comte de Gabalis o nome “Ondina” seja referente a toda a espécie de elementais aquáticos este também está relacionado com um elemental em especifico.)

Ninfas – Não tenho propriamente uma descrição física, mas estas são o elemental aquático “base” da civilização greco-latina, creio ser exactamente este o ser a que se refere o Comte de Gabalis sempre que fala dos elementais de agua. São possuidoras de grandes conhecimentos e inspiram os homens, um pouco como as musas.
Segundo Hesiado vivem até aos 933120 anos mas Plutarco defende que apenas vivem até aos 9620 anos.

Náiades – Basicamente outro nome para Ondina, mas estas têm uma conotação mais mística.

Roussalkas – Vivem no mar Negro e têm a aparência de uma Náiade com uma grande cabeleira loura, um dos seus braços termina numa mão humana e o outro numa barbatana, isto na sua forma “original” pois na verdade estas podem mudar de forma. Estas podem viver vários anos fora de água, procurando um companheiro humanos jovem, graças a um pente mágico que ela usa para invocar agua em qualquer lugar que esteja. Dizem que são as almas de crianças não baptizadas ou então as de virgens afogadas, na Primavera costumam reunir-se nos campos e florestas para dançarem com coroas de flores no seu cabelo. Compõem canções maravilhosas.

Vodianoi – Têm cabelos verdes e os corpos inchados como os dos afogados, banham-se junto aos moinhos de água. Os que as surpreendem são atingidos de imediato por hidropisia.

Fossegrim (Noruega) – Parecem-se com uma bela Náiade de 30 cm, com cabelo dourado. Escondem-se atrás das cataratas e cantam de forma maravilhosa, de tal forma que nenhuma criança que a ouça consegue manter-se afastada

Akkruva (Lapónia) – É como uma sereia dos rios, que trás sempre atrás de si um grande rasto de peixe.

Sacien (Lapónia Russa) – Um estranho ser pálido com longa cabeleira negra que vive nos rios e lagos. Quando é surpreendida costuma mergulhar na água deixando o seu pente e madeixas de cabelo para trás.

Vouivres, Wivres, Wouivres, Guivres – Aparentam-se com Náiades mas com a particularidade de terem um rubi na testa, que retiram e escondem nas ervas antes de mergulharem nas águas. Quem encontrar este rubi torna-se rico e poderoso com a condição da Vouivre não o apanhar outra vez. Têm a particularidade de se transformarem num dragão ou numa serpente alada cuspidora de fogo.

Feiticeiras das Aguas, Macroles d’Ainer, Marluzene, Blanquettes, Fenettes – Seres meio mulher meio peixe que atacam barcos de pescadores com as suas cauda, tentando-os fazer tombar, para de seguido comer os seus ocupantes.
Escondem-se nas pequenas ilhas lodacentas e cobertas de canas que emergem dos rios. Belas com olhos verdes e longas cabeleiras, quem vir uma tem a certeza de morrer nesse ano.
Têm o hábito de dançar à meia-noite à luz de lua.

Damas das Fontes – São mais parecidas com fadas do que com elementais aquáticos, mas não deixam de ser espíritos elementares de água ao passo que as fadas são espíritos elementares aéreos.
Causam loucura instantânea a quem se mostram. Ao contrário dos outros elementais de água, estas não habitam onde há água, mas antes, água surge onde elas habitam, caso se mudem a sua fonte seca e surge uma nova na sua nova morada. As aldeias nas imediações destas fontes têm sempre grande prosperidade.
Têm domínio completo sobre as suas águas, podendo tecer nela feitiços, como que quem beber de agua perca a fala ou então fique curado de todos os males, etc...
Geralmente vestem sempre o branco.

Nixes – Habitam as águas mortas e estagnadas, têm cabelo tão brilhante como o reflexo do sol na superfície da água. Estão condenadas a expiar eternamente uma culpa ancestral e vingam-se nos humanos, seduzindo-os e arrastando-os para as suas águas sombrias.
São mulheres completas e a sua arma de sedução é a dança. Vão aos bailes dos humanos para procurarem as suas vítimas, quem dançar com as Nixes corre invariavelmente para o túmulo.
Disfarçam-se de ricas aristocratas estrangeiras muito doces e sensíveis ou então de humildes camponesas.
Para identificar uma Nixe, estas têm alguns detalhes particulares: os olhos são de verde profundo e indefinido como as águas mortas, têm um corpete de escamas, a cintura é de serpente e a orla de sua saia está sempre molhada.
Estão subjugadas ao Rei Nix que as trata com pulso de ferro.

Nixs, Nickers, Nickelmann, Wassermann – O masculino das Nixes. São homens velhos, barbudos, com dentes verdes, orelhas e pés disformes. Habitualmente usam um chapeou verde.
Podem transformar-se em jovens com longos cabelos louros. Vão para os bailes e tocam música de tal forma que todos os presentes ficam de imediato enfeitiçados. As suas vítimas são as mulheres que eles levam para as suas habitações subaquáticas e obrigam-nas a casar com eles.

Selkies ou Mulheres-Foca – Originais das Ilhas de Shetland. São geralmente raparigas extremamente belas que vestem peles de foca para mergulhar no oceano, o seu verdadeiro habitat. Se um homem por acaso encontra uma dessas pelas enquanto a Selkie está em terra (esta mudança de agua para terra costuma dar-se na noite de São João) então esta ficará sobre o seu poder, para fazer o quer que ele queira, desde que esta não volte a encontrar a pele. São seres muito meigos e dóceis, e os seus filhos com humanos nascem para ser grandes marinheiros, profundamente apaixonados pelo mar.

Kelpies ou Each-Uisg – Habitam os lagos da Escócia e têm a capacidade de mudar de forma para seduzir as suas vítimas. Tanto dizem que matam os homens que seduzem, como dizem que apenas os levam para debaixo das águas para viverem junto com elas. Entre os seus métodos o mais popular é o de se transformarem em belos cavalos negros, cuja pele é como cola e levar as suas vítimas para os lochs, esta técnica é frequentemente usada pelos machos da espécie.

Nuckelavee – Este deve ser o elemental mais estranho e bizarro que conheço. É originário da Escócia, das ilhas de Orkney, e é um eco da antiga religião local. É da família de monstros disformes conhecida como Fuath, mas o seu aspecto ultrapassa o de todos estes, é um cavalo com um único olho injectando de sangue, vermelho como uma chama, uma boca monstruosa com bafo fétido e mortal (mata tudo, deste animais a vegetais) e uma espécie de barbatanas nas patas, nas costas do cavalo cresce um torço humano, a imensa cabeça deste está apoiada sobre um pescoço fino que a suporta com dificuldade. A sua boca prolonga-se como o focinho de um porco. Os seus braços são longos quase tocando no chão e estão munidos de garras. Como se não bastasse este não tem pele, estando a sua carne vermelha exposta, as suas grossas veias amarelas bombeiam um líquido negro e viscoso pelo seu corpo. São-lhes atribuídas toda a espécie de catástrofes naturais, desde secas, pestes, a granizo. A parte mais estranha deste elemental é o facto deste, embora habite no oceano, ter horror a água fresca, nunca é visto em dias de chuva, sendo o único poder capaz de o travar a entidade conhecida como “Mither o' the Sea”, a mãe do mar, cuja personificação é o oceano de Verão. “Mither o’the Sea” é o ser responsável pela reabilitação da terra depois do flagelo do espírito do Inverno, Teran. Estas são as entidades mais antigas conhecidas do folclore Orcadiano.
Em soma, o Nuckelavee um monstro cruel, a sua única ambição é espalhar o terror e a destruição, é pura malícia, um demónio dos mares.

(Também se pode considerar que esta Mither o’the Sea é um elemental, mas o seu estremo poder torna-a mais numa divindade do que um simples elemental, portanto não a vou incluir nesta lista)

Mari-Morgans – Tipo de sereia Bretã, cujo corpo é completamente humano. Costumam passar o seu tempo nas margens do mar, nas entradas de cavernas e na foz dos rios. Muito descaradas e experientes na ciência dos malefícios, perseguem os jovens com as suas solicitações amorosas. Estes, ou outros que elas encontrem, como náufragos, são levados para os seus palácios subaquáticos para aí se casarem com a Mari-Morgan e satisfazerem os seus desejos.
Estes sumptuosos palácios podem agrupar-se em reinos, alguns da extensão de países.

Morgans (machos) e Morganes (fêmeas) – Novamente da Bretanha, sobretudo da ilha de Ouessant. São seres de baixa estatura, mas graciosos. Costumam ser vistos a pentear os seus longos cabelos ao luar, com pentes de marfim, enquanto expõem os seus tesouros num lençol branco á sua frente. São geralmente gentis como anjos.

Merrow, Moruadh ou Moruach (Irlanda) – Têm a aparência de uma sereia vulgar e a semelhança desta também usam um barrete vermelho de plumas. São músicas estupendas, sendo o seu instrumento de eleição a harpa. Muito sedutoras e em constante procura por um marido, mas extremamente vingativas se forem traídas.

Encantados – Metade anjo, metade serpente (não me perguntem), habitam nas pedras sagradas, mergulham a sua roupa nas fontes feéricas.

Gollières à Noz, Mille-Lorraines, Villes.Lorraines ou Lavadeiras da Noite – Este é um ser amplamente distribuído, dês a França, Suiça á Baixa Normandia. É uma estranha fada que se reúne em grupos para lavar roupas. Alguém que passe por elas é convidado a auxiliar, mas se este recusar, ajudar de mau gosto ou trabalhar mal, elas partem-lhe os braços e afogam-nos. As águas que elas usam tornam-se magicas e mais tarde, a roupa lavada nelas, torna-se branca sem a uso de sabão ou lixívia.

Kannerez-Noz – Um tipo especial de lavadeira da Noite. São os espíritos amaldiçoados de mães infanticidas. Todas as noites têm de lavar as roupas ensanguentadas dos seus filhos mortos.


Por ultimo, depois de alguma procura, vou poder apresentar o que poderá ser chamado de um elemental aquático Português, é o caso do ser chamado de “Moura”.
Pelo meu conhecimento este é um ser de muito difícil definição, trata-se de um eco esbatido e difuso de uma série de tradições ancestrais, oprimidas e reprimidas pela igreja contra os cultos “Pagãos”. O que escapou dessa opressão é um misto de seres, aglutinados juntos, sobre o mesmo nome. O actualmente é definido por “Moura” é uma mistura estranha de fadas e elfos (elementais aéreos), Ondinas (elementais aquáticos) e até de Gnomos (elementais terrestres).
As Mouras actualmente são divididas do seguinte modo: benéficas e maléficas e Mouras Encantadas e Mouras Fiadeiras.
As Mouras Encantadas são as que mais interessam neste caso, são seres mágicos associados a um determinado local, como ruínas, montanhas, cavernas, poços, lagos ou fontes (os três primeiros casos, digo eu, puderam associar-se ás Mouras “fada” enquanto os restantes ás Mouras “Ondina”). Geralmente encontram-se em estado latente até uma determinada sequência de acontecimentos lhes quebre o “encanto”. Segundo a sabedoria popular, algumas podem transformar-se em serpentes o que levou no séc. VI a serem confundidas com as Lamias. Estas Mouras também estavam encarregadas de guardar tesouros (Mouras “Gnomo”) deixados pelos Mouros, o que é um disparate pois estes seres são muito anteriores aos povos invasores muçulmanos. Estes sim estão por detrás de outro tipo de Mouras Encantadas, contam inúmeras lendas que Mouros (homens de religião muçulmana) na Península Ibérica, ao verem a sua derrota iminente ás mãos dos Cristãos, encantavam as suas próprias filhas e escondiam-nas em cavernas e poços, para as manter seguras dos soldados, muito poucas eram recuperadas, estando ainda hoje em latência por todo o território.
As Mouras Fiadeiras estão associadas a lendas de construção. Pois estas enquanto ajudavam a construção milagrosa de uma qualquer estrutura levavam com elas uma roca á cinta.
Muito provavelmente este nome vem do grego “moira”, que significa “destino”.
Em soma, são seres muito complexos e um tesouro folclórico, embora as suas características são difusas não devemos olhar para as mouras como uma aglutinação de mitos, isso seria um desrespeito para as próprias e para a cultura popular. Temos de nos lembrar que no reino da crença, nada mais existe para alem da crença, assim se o povo acreditar que a Moura é real e um ser individual, distinto de todas as fadas Ondinas e Gnomos, então a Moura é de facto um ser individual e único.

Tomoe - June 14, 2005 02:06 AM (GMT)
Terra:


Erdluitle – Do Sul da Alemanha, Suécia e Norte de Itália. O nome significa algo como “povo da terra”. São um povo de anões, muito mais velhos que os humanos, vivem essencialmente no Monte Pilatos.
Os machos Erdluitle também são chamados de Härdmandlene, Gotwergi, Heidenmanndli, Bergmanli ou em Itália, Guriuz e as fêmeas de Erdbibberli, Heidenweibchen, Erdweibchen ou Herdweibchen. As crianças destes também são chamadas de Chügeli.
Têm o tamanho de uma criança de sete anos, alimentam-se de raízes, bagas, ervilhas e carne de porco. A sua pele é escura, como a terra, o seu cabelo é negro e os seus pés são parecidos com os de patos. Fazem as suas roupas das orelhas de animais e usam capas e capuzes, pretos ou vermelhos, por cima das suas camisas verdes, azuis ou cinzentas.
Têm grande vergonha dos seus pés e não os mostram a ninguém.
A sua avançada ciência permite-os controlar o tempo e são conhecidos por ajudar os agricultores dizendo-lhes quando as melhores alturas para fazerem as colheitas. As suas danças aumentam a velocidade de crescimento das plantas. Rebanhos e manadas que pastem nas montanhas estão sobre a sua protecção. São mestres do fabrico de queijo.
Também se podem transformar em folhas verdes, folhas de ouro ou folhas de diamante. Se alguém os ajudar, deixando-os casar ou dar á luz nas suas propriedades estes ficam agradecidos para sempre e passam a trazer presentes, riqueza e boa sorte aos sua bem feitores.

Quiet Folk ou Stille Volk – Do Norte da Alemanha, embora também existam na Lituânia sobre o nome de Karlá, Unners-Boes-Töi ou Untüeg na Dinamarca, Gwarchells no país de Gales e Yarthkins no Norte de Inglaterra. Outros nomes são Kepetz, Böhlers-Männchen, Malienitza, Zinselmännchen Kaukas ou Onnerbänkisses. Extremamente parecidos com os Erdluitle, mas como o seu nome indica são muito mais calmos e silenciosos.
Vestem-se de roupas negras e grossas, usam chapéus vermelhos que lhe dão invisibilidade e força sobre-humana. A sua cara é deformada, a sua pele escura, os pés espalmados como os de um pato e o cabelo cinzento. Têm barbas e sobrancelhas extremamente grossas. Chegam ao tamanho de adulto em três anos, 60 cm, mas vivem cerca de dos mil anos.
Conhecem as localizações dos mais preciosos minerais e jóias e são extremamente ricos. Também conhecem os segredos das plantas e minerais e como resultado disso nunca adoecem.
São mestres no fabrico de pão e de cerveja. Não têm avareza das suas riquezas e dão-nas de bom gosto aqueles que se mostrem merecedores. Mas caso alguém os tente roubar, a sua vida é transformada num inferno na terra.

Laminaks – Do Pais Basco. Coisinhas pequenas, disformes e peludas que num piscar de olhos se transformam numa serpente, aranha ou enguia. Vivem na Montanha de Gastelu, no pico da torre Isturiz, nas rochas dos rios ou debaixo de pontes velhas. Entre eles chamam-se todos pelo nome Guillen. Podem realizar vários tipos de tarefas pedindo em troca apenas que lhes deixem lamber o fundo das frigideiras.

Bergleute ou Bergmännchen – Anões menores da Alemanha que vivem em minas de diamantes que começaram a aparecer por volta do sec. XVI. Generosos alegres e pacíficos. Vivem em pequenas comunidades de choupanas em volta das minas onde trabalham. Têm o hábito de cuidar animais feridos, viajantes perdidos, vagabundos esfomeados e crianças perdidas.
Adoram pregar partidas aos seres humanos, podem ser uma chatice mas nunca uma ameaça.
Sentem intensamente os minerais que estreiem ao ponto das suas emoções serem os próprios minerais.

Knockers – Da Cornualha, Gales, Escócia, Alemanha, Áustria, Jugoslávia e Roménia. Embora nestes sítios os seus nomes sejam ligeiramente diferentes, como Coblynau em Gales, Black Dawrf na Escócia, Hausschmiedlein na Boémia (exclusivo das minas de prata), Berg-Mönche e Meister Hämmerlinge na Alemanha, Schacht-Zwergen na Áustria e Gomas em França, sua natureza é sempre a mesma.
São por vezes temidos como espíritos maléficos mas geralmente são muito úteis aos mineiros, batem nas paredes das minas para os guiarem para grandes depósitos de minerais ou metais preciosos. Por vezes até avisam os mineiros quando as minas estão prestes a colapsar.
Parecem basicamente uma pessoa com altura entre 45 e 80 cm. Vestem-se sempre como os mineiros da sua região, usando um capacete com uma vela no topo.
Para os agradar e assegurar a sua protecção, duas vezes por anos as pessoas oferecem-lhes roupa velha de criança, se a roupa não for velha eles ficam enfurecidos porque detestam tudo o que seja moderno. Outro tipo de ofrendas é bolos ou crepes que os mineiros deixam em buracos nas paredes das minas. No entanto eles podem ficar viciados nestes doces e se por algum motivo a sua oferenda é esquecida ficam furiosos e vingativos.
Adoram o som dos cantos e do riso mas fiam chocados e enraivecidos por palavrões. Quando isto acontece eles tornam-se criaturas horríveis e penduram-se do tecto das minas para arrancar a cabeça pelos ombros ao mineiro mal-educado que os ofendeu.

Tommy-Knockers – Basicamente são Knockers Americanos, levados para novo continente pelos imigrantes Ingleses.

Fanfrelons – Da Inglaterra. Estranhos seres que se vestem como um soldado Inglês. Andam pelas minas a tentar encontrar pepitas preciosas, mas nunca têm sucesso. Se por algum acaso encontrarem alguma coisa, correm para um pub e apressam-se a troca-la por uma caneca de Guinness.

Bergmaenlein, Heinzelmännchen ou Hütchen – Estes são Anões domésticos, ou familiares, como os espíritos familiares e Deamons Gregos, são uns tipos que a troco de alguma compensação acompanham uma pessoa, ou uma casa e ajudam-na.
Quando estes escolhem uma casa o seu dono pode contar com eles para fazer a maior parte dos trabalhos domésticos, trabalho de campo e outras actividades enfadonhas, mas apenas quando todos na casa estiverem a dormir. Como pagamento apenas pedem um pouco de comida, como um copo de leite e algum bolo, uma vez por semana e nos feriados.
Se por alguma razão são ofendidos abandonam a casa e amaldiçoam o seu dono.

Kobolds – Da Alemanha. Outro anão que habitas as minas, mas desta vez nas galerias já abandonadas onde já ninguém vai. Gostam de incomodar os mineiros e fazer o seu trabalho um pouco mais difícil. Podem ser malignos mas geralmente protegem os mineiros, a menos que tenham sido ofendidos.
Tal como os Knockers, estes ficam muito ofendidos com pessoas mal-educadas ou se alguém assobia na sua presença. Para se vingarem fazem os mineiros perderem-se nas cavernas subterrâneas e fazem as minas culapçar. Se bem tratados mostram com agrado a localização dos melhores veios de minerais.
Movem-se pela terra como toupeiras, escavando buracos a uma velocidade assustadora. Era costume fazerem-se pequenas estátuas de pão destes e prestar reverencia a elas, se estas estátuas fossem postas dentro de uma caixa a casa onde estivesse a caixa tornava-se a casa de um Kobold e este passava a computar-se como um anão familiar. Esta caixa podia ser vendida a outra pessoa mas apenas por um preço inferior ao que tinha sido dado por ela anteriormente. Se a caixa fosse a Berta o Kobold partiria sem recentimentos. Outra maneira de apanhar um Kobold seria ir para o bosque no dia de São João e procurar por um pássaro que estivesse em cima de um formigueiro, este era um Kobold disfarçado, era preciso apenas apanha-lo, pô-lo dentro de um saco e lava-lo para casa.

Klabautermannikin, Kaboutermannikin ou Klabauters – Um tipo de Koblod Holandês. As pessoas faziam pequenas estátuas de madeira destes e colocavam-nas por debaixo de árvores para protegerem as almas das crianças pequenas, ou então eram postas na frente dos barcos para os proteger de naufrágio e avisarem os marinheiros se se aproximava alguma tempestade.

Poltersprites – Também um tipo de Koblod, Estes usam gorros cinzentos ou vermelhos que os fazem invisíveis. A coisa que eles mais adoram é simplesmente fazer barulho. São por vezes confundidos com Poltergeists, mas estes têm por vezes um intuito maléfico enquanto que os Poltersprites apenas querem fazer barulhos, nada mais.

Church Grims ou Kyrkogrims – Anões familiares que habitam as igrejas. Não são devotos, muito pelo contrário, eles detestam a religião Cristã, mas não acham que isso seja desculpa para deixar a sua casa ficar suja. Tocam os sinos na meio noite e sempre que morre um paroquianos. Há quem diga que são os fantasmas dos cães negros que eram sacrificados e enterrados na parte Norte das igrejas para manter os demónios afastados.

Wichlein – Da Alemanha, Áustria e Suiça. São muito peludos, com longas barbas e cabeças enormes, vestem-se frequentemente de vermelho e usam uma bengala. Estes são simplesmente maus, o oposto da maioria dos outros anões e espíritos da terra. As batidas que fazem nas paredes das minas são para fazer os mineiros perderem-se, atrai-los para precipícios ou fazer todo o túnel colpaçar.
Como espíritos familiares não são muito melhores. Fazem os cobertores cair da cama durante a noite, fazem cócegas ás pessoas com os seus dedos gelados, desenham focinhos na cara de quem quer que esteja a dormir, pregam rasteiras ás empregadas para estas entornarem leite, misturam o sal com o açúcar, sobem para as costas das pessoas e recusam-se a descer, atam as caudas das vacas umas ás outras, escondem crianças na capoeira, roubam presuntos, destrancam as portas durante a noite e por aí em diante.

Goblins e Hobgoblins – Um pequeno e brincalhão anão, com um físico feio, um sorriso que consegue congelar o sangue nas veias e um riso que azeda o leite. Hobgoblins são o nome especifico que é dado a um Goblin que se tornou um espírito familiar, pois o seu lugar preferido de toda a casa e o espaço que fica ao lado da lareira, o “hob”.
Fazem toda a espécie de trabalhos mas são especializados em trabalhos com têxteis, mas requerem um pagamento das melhores iguarias.
Não têm nenhuma malícia no seu interior mas adoram pregar partidas aos seres humanos e aos cavalos. Adoram todos os insectos e no Verão projectam-nos para irem zumbir para a cara das pessoas e cavalos.

Gremlins – São os únicos anões que gostam do mundo moderno e da tecnologia. No começo dos tempos, estes ajudavam o ser humano a desenvolver grandes avanços tecnológicos, mas os humanos tornaram-se arrogantes e nunca mais lhes agradeceram, assim eles tornaram-se vingativos e passam o tempo a criara estranhos problemas em toda a espécie de objecto mecânico.

Suléves, Drolles, Sarvan, Cervan, Folaton, Foulta, Napfhan, Jeonnot ou Jean de la Bolieta – Dos Alpes, estes são anões familiares por excelência e não existem no estado “selvagem”. Em troca de um copo de leite eles protegem as manadas de vacas e conduzem-nas para as pastagens de melhor erva. Se não são pagos a sua vingança é matar todo o gado sobre a sua protecção e fazer partidas estúpidas para chatear o seu empregador.

Nisses, Tomtes ou Niägruisar – Um anão familiar especial do Norte de Europa. É opinião unânime que estes são os melhores espíritos familiares do Mundo, não só tratam da casa como tomam para a sua responsabilidade o bem-estar de todos os seus habitantes. Em alguma países eram quase adorados e tomados como uma das coisas mais maravilhosas do mundo. Nas suas casas tudo brilha e todos são saudáveis, quando necessário até actuam como professores e tratam da educação das crianças.
Adoram a música tal como a dança e o teatro e tocam o violão de forma maravilhosa, mas detestam o barulho desnecessário.
No caso de necessidade não hesitam em roubar o que seja para ajudar a sua família.
Parecem-se como velhinhos com longas barbas brancas e barretes vermelhos. Na noite de Natal dão presentes ás crianças das suas casas e em troca estas dão-lhe uma porção dupla de leite e tabaco.
Nas palavras de Pierre Dubois: ele é a esperança do dia, um mensageiro de vida. O melhor artesão, de uma palha ele planta um campo, de uma pinha faz uma floresta, de um cordel com nó ou sem nó ele faz ou desfaz os ventos.

Brownies – Da Escócia, embora também existam na Irlanda, Cornualha, Norte de Inglaterra, Orkney, Shetland e as ilhas Anglo-saxónicas. Seres pequenos, com tamanho entre 50 e 90 centímetros, cobertos de pelo castanho dos pés á cabeça, no meio deste são perceptíveis uns lindos olhos azuis.
Geralmente também são espíritos familiares, mais precisamente pequenos deuses domésticos que adoram balançar-se nas ferraduras penduradas em cima das fogueiras, especialmente para eles. As suas ofertas preferidas são natas, bolos de mel, pão escuro e cerveja preta. É muito importante que o pão e os bolos que lhes são oferecidos não tenham sido cortados como uma faca, mas sim á mão. Também estas ofertas têm de ser feitas de uma forma especial, o Brownie não gosta de receber agradecimentos, então as ofertas têm de ser colocadas em locais que o Brownie as encontre por acaso. Outra coisa que não pode ser feita é dar-lhes roupas novas, apenas podem ser oferecidas roupas velhas e gastas.
Como espíritos familiares estes não estão presos a uma casa ou família em especial, podendo mudar-se livremente se assim o desejarem, isto é excepção para os Brownies que estão vinculados a famílias de aristocratas como os MacDouglas de Ardincaple, os Tullochgorum de Strathspey, os MacDonals de Largie ou os MacKays de Kintyre.
Eles serviam estas famílias das maneiras mais variadas, fazendo balas desviarem-se do seu caminho, fazendo profecias para ajudar os seus mestre a fugir das prisões.
Com a nivelação das classes sociais os Brownies começaram a desaparecer.
É frequente na Escócia guardar um pouco de toda a cerveja feita para os Brownies, pela sua ajuda na sua produção. Um dos presentes mais famosos que estes deram aos humanos é a receita de um bolo de chocolate que foi baptizado com o seu nome. São também frequentemente invocados para protegerem as crianças das abelhas.
São também conhecidos pelo seu talento literário, pois frequentemente dão inspiração a escritores e a poetas (isto é, quando não escrevem os livros por eles).

Bwca, Bwbach ou Bwciod – Variante de Brownie mais selvagem e irritadiço. Irrita-se profundamente quando se esquecem do seu bolo de creme no cano da chaminé. Dá socos na parede, atira coisas para o chão, belisca quem dorme, faz buracos na lã ou diz em voz alta os segredos que sabe de cada um.
Para afastar um Bwca enraivecido deve-se proceder a um exorcismo habitual: um pedaço de ferro, um punhado de sal, água benta, cruz de madeira ou então roupa nova.
Outra maneira é irrita-lo ainda mais, mas ele não partirá sem uma grande vingança.

Boggart – Um Brownie mau de Lancashire.

Farfadets, Fadets, Fradets, Follets, Frérots, Folatons, Foulest, Ferrés, Fols, Furseys – Este nome origina da palavra provençal “fadet”, que deriva da palavra “fade”, fada, mas no entanto, sendo as fadas caracteristicamente elementais do ar, os Farfadets apresentam, sem sombra de duvidas, características de elementais terrestres.
Parecem-se com velhinhos cheios de rugas, com cabelos broncos, que medem entre quarenta centímetros a meio metro, vestem-se com farrapos ou então andam completamente nus. Os Farfadets da montanha não têm dedos nas mãos nem nos pés e também não têm nariz.
Por vezes vão a estábulos e quintas onde se divertem a soltar os cavalos, ata-los pelas caudas, leva-los ao bebedouro durante a noite, embaraça as suas crinas. Ou então entram em casa e vão beber cerveja, entornar o leite, espalham a manteiga ou o sabão nas escadas.
Originalmente pertenciam a duas grandes famílias de Farfadets, uma na Escócia e outra na Vendeia, estas eram unidas durante o tempo da aliança franco-escocesa no sec. XIII. Participaram na revolta d 1715, tal como na rebelião do Bonnie príncipe Carlos em 1745. A seguir ao desastre de Cullonden muitos Farfadets retiraram-se do país de Loire para auxiliarem na recepção de tesouros roubados. Muitos desses tesouros ainda se encontram escondidos, como nos subterrâneos dos numerosos castelos de Poitou, debaixo dos dólmenes de Saint-Gravé em Cancoët, Morbihan, ou na extremidade da angra de Lugéronde em Noirmoutiniers.
Como génios domésticos eles adoptam uma casa e controlam o seu bom funcionamento, com um grande sentido de responsabilidade. De noite tomam conta dos animais, ceifam, batem e segam o trigo e fazem recados. Também terminam, as tarefas dos empregados e se estes se mostrarem preguiçosos ou distraídos eles castigam-nos.
Como paga pedem uma taça de antas ou leite com um bolo de mel.

Leprechaun – É um anão sapateiro da Irlanda, veste-se com um gibão justo ao corpo, verde e fora de moda, um colete de botões berrantes, avental de couro e um tricórnio preto. Escondem-se geralmente nas nespereiras onde passam o tempo a colar um sola nova a um único sapato. Os Leprechaunes nunca arranjam um par de sapatos, apenas um, não se sabe porquê.
Hibernam durante todo o Inverno, escondidos em tocas subterrâneas, apenas imergindo na Primavera. Têm um humor instável, ora de profunda alegria ora tristes e amargurados. As suas coisas preferidas são o Whiskey irlandês e o tabaco de cachimbo. São excelentes violinistas e é lhes atribuída a invenção do hóquei.
Podem ser velhacos e maus, mudando de forma para se ocultarem e transportarem pessoas magicamente para o outro lado do mundo. Mas se forem surpreendidos mostram-se amáveis e cantam baladas irlandesas, oferecem cerveja e tabaco, contam lendas e oferecem ouro.

Monaciello – De Nápoles, o seu nome significa Pequeno Monge. Possui um pequeno barrete vermelho, que se algum homem for hábil suficiente para lho roubar ele é obrigado a revelar todos os tesouros que tem a seu cargo. Este barrete não deverá ser devolvido enquanto os tesouros não forem postos em local seguro, pois o Monaciello desaparecerá, juntamente com as riquezas.

Gobylin ou Jodouyn – Casta de duendes Bretões especializados em tratar de cavalos. Se forem estimados, juntamente com os seus cavalos preferidos, o dono da cavalariça que os alberga pode estar seguro que os seus cavalos estarão sempre belos e arranjados.

Teuz ou Bugel-Noz – Um duende bem disposto que gosta de festas, paridas e criancices. São repudiados pelos restantes duendes por serem amigos dos cristãos. São homens negros que vagueiam pelos prados de trigo maduro, mas por vezes são descritos como tendo um tamanho gigantesco e um longo manto branco. Afastam os espíritos malignos e protegem os homens dos actos do diabo cobrindo-os com o seu longo manto.

Teuz-ar-Pouliet – “Travesso do charco”, semelhante ao Teuz.

Ellicons – Duende dos países nórdicos, parecem-se velhinhos enrugados extremamente perversos. Roubam cavalos e guiam-nos até aos pantanais, o mesmo fazem aos transeuntes perdidos, podendo também guia-los a precipícios.

Trow – Da ilha de Orkney, não tenho muito sobre este, excepto que vivem em tocas subterrâneas, são maliciosos e vingativos.

Red Caps – Anões das terras baixas Escocesas, também lhes chamam “bonés Sangrentos” e “Pentes Vermelhos”. Parecem-se com velhos com longos cabelos cinzentos, barbas entrançadas, as mãos em forma de garras de águia, dentes pontiagudos e olhos vermelhos brilhantes. Calçam botas de ferro, usam uma picareta e têm uma boina vermelha, de onde retiram o nome.
Habitam em castelos, torres ou masmorras abandonadas e em ruína, onde de preferência se tenham cometido actos de grande violência. Aqui estes esperam por turistas ou viajantes para os esmagarem com enormes rochedos, indo depois ensopar a sua boina no sangue fresco para esta se tornar ainda mais vermelha.
Têm o poder de prever as catástrofes, fazendo festas sempre que alguma se aproxima.

Korrils, Kornikaneds, Korred, Kerions, Corions, Kouricans, Korandons ou Poulpikans – Da Bretanha, Gasconha e Cornualha, onde se chama Spriggans. Geralmente negros e peludos, com chifres, cara enrugada e cabelo frisado, os olhos estão profundamente enterrados nas orbitas e brilham em negro ou vermelho. As mãos são garras de gatos e os pés cascos de bode, a sua voz é rouca e quebrada e o seu riso ribombante, possuem também uma força hercúlea.
Tal como as suas fêmeas, as fadas Korrigans, eles dançam toda a noite, em círculos de pedra, para desta forma absorverem as energias telúricas e recarregarem a sua força vital. Quem pisar nos seus círculos de anca é de imediato enfeitiçado e é forçado a dançar a sua dança infernal até de madrugada, morrendo geralmente de cansaço antes disso.

Corriquets, Guerrionets, Korriks, Boudiguets, C’horriquets, Corrandonnets, Kornikateds ou Cornicanets – São o resultado da união dos anões Fenícios Carikines, que estes transportavam nos porões dos seus barcos, com os Korrils da Bretanha. Usam chapéus de aba larga e pequenas trompas atadas á cintura, juntamente com uma bolsa de pele onde transportam cabelos, crinas de cavalo, pêlos e uma tesoura.

Duergar – Da Grã-bretanha, um anão que faz com que os viajantes se percam usando uma tocha. Usam um casaco de lã, sapatos de pele de toupeira e um bocado de musgo com uma pena, como chapéu.

Tomoe - June 14, 2005 02:10 AM (GMT)
Ar:


Este é provavelmente o mais difícil elemento de se tratar. O elemento ar, na tradição ocidental é o mais abrangente em termos de habitantes, embora o Comte de Gabalis, nos seus cinco discursos, apenas menciona os Silfos, a certa altura este refere que o rei dos Silfos, já havia morrido, fazia muito tempo, e refere que este rei não era mais que Pan. Ora, Pan é uma divindade que é preciso abordar com cautela, o seu próprio nome significa “Tudo” e como tal, vou ter de incluir no elemento Ar, os seres e elementais que estejam sobre o domino deste deus, ou seja… praticamente todos os que não entrem nos dois elementos em cima nem no elemento Fogo. Como tal para aqui virão todos os espíritos das florestas, montanhas (que vivam por cima do chão) e ventos.
Outro grande problema é o seguinte:

“All the so-called fairies were only Sylphids and Nynphs. Did you ever read those histories of heroes and fairies?
“No Sir,” said I.
“I am sorry to hear it,” he replied, “for they would have given you some idea of the state to which the Sages are one day determined to reduce the world.
Those heroic men, those love affairs with Nymphs, those voyages to terrestrial paradise, those palaces and enchanted woods and all the charming adventures that happen in them, give but a fait idea of the life led by the Sages and what the world will be when they shall have brought about the Reign of Wisdom. Then shall see only heroes born; the least of our children will have the strength of Zoroaster, Apollonius or Melchizedek; and most of them will be as accomplished as the children Adam would have had by Eve had he not sinned with her.”

Assim temos que todas as centenas de tipos e subtipos de fadas das varias centenas de contos de fadas não são mais que Silfos e logo, elementais de Ar. Como tal, fiquem sabendo que eu não vou abordar em especifico o tema das fadas e dos povos feéricos, quem já se dei a esse trabalho sabe tão extenso e complexo que é o tema, logo, para não fazer algo incompleto e repugnante, nem lhe vou tocar. É um tema popular e largamente estudado por vários autores. Quem tiver real interesse nele com certeza não terá problemas em encontrar livros sobre o assunto (aconselho “Elfos e Fadas” de Édouard Brasey).
Somando isto tudo temos que o elemento do ar é provavelmente o mais numeroso em termos de habitantes e simultaneamente o com menos entradas
Pois bem… isto foi o melhor que consegui:


Elfo – Aqui a problemática da fada repete-se. É um tema vasto e complexo, sendo na verdade o mesmo. O Elfo e a Fada parecem ser a leitura do mesmo fenómeno/ser por duas culturas diferentes, a Céltica e a Nórdica. Se bem que o Elfo tem um carácter mais masculino e a Fada um carácter mais feminino, podendo de certa forma ser dito que são macho e fêmea um do outro. Ainda para complicar a situação, tanto os avistamentos de Elfos como de Fadas mais recentes (até ao século XVIII) poucas vezes são consistentes uns com os outros, com grandes variações na sua descrição e comportamento, ficando a duvida se todos estes avistamentos são mesma espécie ou de varias espécies.
Novamente, não vou abordar este tema, se quiserem procurem vocês no livro que indiquei anteriormente.

Boas Senhoras – São as Fadas que se diz terem erguido os outeiros, os túmulos e as pedras druídicas.

Fadas-Madrinhas – São fadas associadas com os mistérios do nascimento. Estando destinadas a guardar determinada pessoa desde o seu nascimentos. Este conceito de guardar poderá ser relativo, pois muitas vezes estas apresentam duras provas aos seus “afilhados” destinadas a dar-lhes uma lição preciosa. São geralmente benéficas.

Korrigans – Ver Korrils em Terra.

Flower Fairies – São como que devas do mundo vegetal, pequenas Fadas que vivem em constante osmose com o mundo vegetal. Ajudam a processar os nutrientes de que as plantas se alimentam e catalizam as suas transformações químicas, alimentando a planta com a sua própria energia espiritual.

Pillywiggin – Uma pequena Flower Fairie do tamanho de uma abelha que pode ser encontrada junto das plantas selvagens que crescem perto dos carvalhos.

Espíritos Tenebrosos da Floresta – Estes são uma classe de seres difíceis de definir, daí o nome longo. Na verdade são espíritos naturais, incorpóreos, que vagueando pelo bosque se alojam em arvores mortas, montes de silvas. Estas moradas de imediato se transformam para tomar a formas que permitam aos espíritos manifestarem-se. Ramos tornam-se mãos e as silvas juntam-se em enormes garras espinhosas, tudo pronto para agarrar e matar, da maneira mais horrível possível, qualquer transeunte.

Damas de Negro – Klage-Weib em Alemão. Um espírito lúgubre que anuncia a morte aos seres humanos a quem se manifesta.

Damas de Branco – Nome específico dado a algumas fadas que cumprem um papel especial e consequentemente se mostram frequentemente aos homens. Desde anunciar a morte, o nascimento, dar protecção, ou outra coisa qualquer.

Banshies – Caso particular de uma Dama de Branco com características de uma Dama de Negro. Tratam-se de uma Fada de origem Escocesa que está vinculada a uma família nobre. Esta tem o poder de prever o futuro e as mortes nessa mesma família, mortes essas que anuncia com choros lúgubres nos castelos dos seus protegidos. Também podem facultar o poder da previsão do futuro, ou avisar a sua família de terríveis acontecimentos que se avizinham, de forma a estes os poderem evitar. As Banshies das terras altas levam o seu trabalho mais longe tornando-se uma espécie de espíritos familiares. Lavam a roupa dos que vão morrer em batalha, içam as armas da família, embalam os berços das crianças herdeiras e até podem auxiliar os seus “amos” aconselhando-lhes as melhores jogadas para fazer num jogo de xadrez.

Mahren – Ou Mahr no singular. Um Elfo negro que paira sobre os seres humanos adormecidos e os oprime, causando pesadelos. A palavra Nightmare (e muitas outras de muitas línguas diferentes) tem origem no seu nome. Divertem-se a puxar os adormecidos pelo cabelo e a enrodilha-lo em algo que tem o nome de Marlock

Changelings – O Daemonfey já fez um texto sobre isto. Vão ver aqui.

Demónios lascivos Masculinos e Femininos – Ok, este é um tema longo que mais que uma pequena parte num tópico merecia o seu próprio fórum. Como tal vou apenas enumerar uma série de nomes, dizendo que as actividades de muitos destes seres são semelhantes aos demónios chamados como Sucubos e Incubus já demasiado popularizados pela cultura pseudo-oculta: Pilosi dos Hebreus, Paniscos, Sátiros e Éfialtos Gregos, Faunos e Silvanos (estes estão um bocado mais descritos mais á frente) dos Latinos.

Puck, Pwaca ou Pooka – Este nome foi usado por Shakespeare par um dos seus personagens místicos, mas na verdade ele pertence a um género de fada Gaulesa, onde o escritor se foi inspirar. Os Puck são excelentes guardiães de rebanhos, mas exigem o seu copo de leite e pão branco, nada do que fazem é altruísta. Também se divertem com as partidas do costume, como fazer os viajantes perderem-se na noite, ou guia-los até junto de uma ravina. Também são chamados de Jack-o’-lanthorn, Will-o’-the-wisp ou Friar Rush.

Pixies, Piskies, Pisgy, Pixy, Pix, Pics, Pics Picky ou Picts – Fadas o Sul de Inglaterra, têm uma cabeleira selvagem ruiva, cara cheia de sardas, nariz arrebitado, orelhas pontiagudas e são vesgos. Usam um barrete vermelho e vestem-se de verde, isto é, quando não andam completamente nus. Pregam mil e uma partidas, como tantos outros espíritos elementares, sendo um dos piores o de substituírem os recém-nascidos humanos pelos seus próprios filhos enfermos, os Killcrops, todos estes actos maliciosos são acompanhados de um riso ribombante. Para agradar aos Pixies pode-se deixar uma taça cheia de agua na lareira, para estes se poderem lavar, ou então pode-se simplesmente dar algumas moedas. Passam as noites a dançar, formando uns círculos perfeitos na relva chamados gallitrap, quem pisar uma gallitrap fica imobilizado até algum Pixie o libertar.

Folletti, Fujettu, Fuddittu, Fuglietti ou Farfarelli – Espíritos loucos com asas de borboleta, filhos dos Silvanos com as Silvanas. Existem por toda a Itália, tendo sertãs particularidades em cada área, mas a sua natureza é sempre a mesma Habitam nos bosques e campos, mostrando o seu brilho, semelhante ao fogo-fátuo. Têm a mentalidade de crianças e como tal não podem ser chamados de maus, quanto muito travessos, no entanto as suas brincadeiras nem sempre são inocentes, são incrivelmente libidinosos. São conhecidos por violarem mulheres e as engravidar. Quando as crianças nascem parecem-se estranhamente, por alguma arte magica, com um dos homens da aldeia, Uma vez que uma mulher tenha sido escolhida como vitima de um Folletti é extremamente difícil afasta-lo, sendo preciso exorcismos estranhos e bizarros, como comer cerca de trinta ovos por dia.

Salvanelli – Filhos dos Silvanos e das Dríades, novamente de Itália. Têm cabeça de cabra e corpo peludo.

Salbanelli – Filhos dos Salvanelli e das feiticeiras das montanhas, as únicas informações que tenho sobre eles são que têm a pele escura e os olhos azuis.

Dríades – É com algumas duvidas que incluo Dríades nos elementais do ar, mas acho que, dadas as suas características e atributos, espíritos das florestas e da natureza, segundo a classificação ocidental são de apenas quatro elementos, caiem aqui. Têm longos cabelos e grandes seios pendentes, que frequentemente atiram para trás das costas para amamentarem os seus filhos, vivem de pertencia á borda de água. Não são de todos más e frequentemente ajudam os homens nos trabalhos do campo, mas também são protectoras do ambiente e tornam-se violentas quando encontram um humano a polir as águas e o bosque. Enrolam os seus longos cabelos em volta das pernas dos prevaricadores e arrastam-nos para debaixo de água, onde os devoram.

Silvanos – Não tenho uma descrição física destes, mas os seus comportamentos são muito semelhantes ás Dríades, com a particularidade que se uma mulher ofender um Silvano ele faz-lhe uma grande e profunda marca de uma garra no ombro.

Os pares de Silvanos e Dríades são chamados de Vivani e Vivene, Pantegani e Pantegane ou Bregostani e Bregostene.

Linchetto – Um tipo de Folleti que causa pesadelos a quem dorme e a impotência aos homens. Também são incrivelmente libidinosos fazendo-os, em soma com os seus poderes, criaturas terríveis.

Wood-Wives – Pequenas fadas, com longas garras, constantemente acompanhadas de violentos remoinhos de vento. Estão profundamente vinculadas á floresta, de tal modo que torcer um simples ramo de árvore pode ser suficiente para matar uma. Caçadores que se aventurem nos seus bosques têm de deixar-lhe uma parte da sua caça para regressarem em segurança para casa e se forem bem tratadas podem vir a auxiliar os seres humanos nas mais variadas tarefas. Tal como muitos espíritos elementais, detestam a maquinaria moderna e os sons demasiado altos, como sinos de igreja. São atraídas pelo cheiro de pão a cozer e exigem sempre uma parte para si, desde que esse pão não tenha sido furado com um garfo ou um dedo.

Skoggra – Muito semelhantes ás Wood-Wives, mas estas costumam vaguear as florestas em busca de lenhadores para os tentar seduzir, ou então, quando o seu humor não está no seu melhor, para os fazerem perder-se.

Leshii – Um espírito da floresta, Russo. Aparece sobre varias formas, um homem alto coberto de pêlo negro dos pés á cabeça, um homem vulgar com olhos brilhantes e os sapatos calçados nos pés errados, mas mais frequentemente como um ser bastante parecido com um Sátiro, parecido com um homem bode. Divertem-se a fazer partidas infantis, como trocar a sinalização dos trilhos da floresta, chamar viajantes com uma voz familiar e desta forma os fazerem perder-se. O resultando de encontrar um é completamente impossível de determinar, pois o seu humor varia constantemente, tanto podem ajudar o seu descobridor como lhe fazer cócegas até á morte. Podem ser dados oferendas e fazerem-se pactos com os Leshii de forma a estes se tornarem um auxílio, em especial no trato das manadas de vacas.
Também são conhecidos por roubarem crianças, quando estas são deixadas sozinhas pelos pais, estas crianças raramente são devolvida mas quando o são voltam belas e bem tratadas.

Tomoe - June 14, 2005 02:11 AM (GMT)
Fogo:


Salamandras – Que eu saiba este é o único elemental habitante do fogo que é mencionado (quando o é) em qualquer livro. É também aquele que é mais imbecilmente retratado na larga maioria deles. Para compreender a Salamandra é preciso levantar o véu aos conhecimento esotérico envolvente dos elementais. Estes seres, como é obvio (pelo menos para alguns) distribuem-se em quatro reinos materiais, correspondentes ao seu próprio elemento, sendo a ordem destes, em nível de elevação espiritual a seguinte: Terra, Água, Ar e Fogo. Ou seja os habitantes de cada um destes mundo elementais são cada vez mais perfeitos e poderosos. Sendo, por exemplo, os Silfos na escala de evolução comparativa a Deus, como eles próprios o põem, na historia dos Silfos de Cardan: “(…) guardian spirits of the noblest of men, just as men of low degree are the trainers of good dogs and horses.”
Ora, as Salamandras estão no ponto máximo de evolução natural possível para os elementais, eles são o fogo puro, o conhecimento, a chama divina. O seu poder é incompreensível, a sua forma irrelevante, não são meros lagartos que caminham nas chamas, como alguns “entendidos” as querem reduzir. São os seres que naturalmente estão mais perto de Deus, a quem são devotos, e mais conhecem sobre os seus mistérios.
O facto de serem pouco divulgadas e haverem tão poucos relatos das suas actividades é pela simples razão que a interacção com seres humanos de pouco lhes interessa, como são seres tão puros o seu tempo de vida é perto do infinito.
O rei das Salamandras é Oromasis, pai de Zoroastro.
São Mestres e professores, conhecedores da Lei divina, de tal forma que as suas poucas interacção com os homens, através de oráculos, como o de Delfos, não eram mais que a sua tentativa subtil de oferecer conhecimentos velados do único verdadeiro Deus que elas próprias adoram.
Imaginem o ser imperfeito mais perfeito possível, isso é uma Salamandra.




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