Água:(alguma desta informação é repetição parcial de um post no tópico das
sereias.)
Sereia – Acho que todos conhecem este, mais ou menos. Elemental que habita nos oceanos, meio mulher meio peixe, podendo este acabar em uma ou duas caudas de peixe. A sua pele é de tal forma resistente que relatos dizem que botas poderiam ser feitas desta que durariam três anos. Usam um barrete vermelho chamado “cohulhem druith”, coberto de penas, sem o qual não podem regressar ás águas.
Estas, como se sabe, atraem os homens para debaixo das ondas, onde estes geralmente morrem, aqui os estudiosos começam a discordar, um dizem que estas os comem, outros que dizem antes que estes seres são tão inocentes e desejam de tal forma a companhia de seres humanos que se esquecem que estes não conseguem respirar por debaixo de agua, arrastando-os para a sua morte sem querer.
Existe alguma controvérsia sobre o facto destas cantarem, há quem inclusive diga que são mudas e que a sua capacidade de cantar foi “roubada” ás Sirens (meio mulher meio pássaro) gregas.
O Tritão é um caso delicado, dá-me ideia que este é importado de outras culturas e foi aglutinado no mito da sereia mais tarde, mas independente disso, agora já faz parte de mito. Partilham algum paralelismo com a sereia, sendo o seu torço humano e peixe da cintura para baixo, perseguem incansavelmente mulheres humanas e mantêm as almas dos marinheiros afogados em frascos nos seus palácios subaquáticos.
Sereias Fluviais – Como o nome indica são sereias que habitam os rios, meio mulher meio peixe, cantam belas canções para atrair os homens para as suas aguas para depois os devorarem.
Ondinas – Habitam as aguas doces, o seu corpo é completamente mulher e podem usar roupas como os humanos mas geralmente andam nuas, atraem os homens devido a um estranho magnetismo causado pelos seus olhos, levando-os para os seus palácios subaquáticos, onde dias passam como minutos.
Têm o cabelo louro ou verde-marinho e a cabeça coberta de plantas aquáticas. Levam os jovens para os seus palácios subaquáticos onde os dias passam como minutos. Por vezes têm asas e raramente usam adornos.
O seu habitat preferido são as quedas de água, o seu tamanho pode não ser o mesmo que o humano, quando são mais pequenas têm entre os 10 e os 16 cm.
Ao contrário das sereias do mar estas não cantam, mas gritam com uma entoação selvagem.
(Embora no Comte de Gabalis o nome “Ondina” seja referente a toda a espécie de elementais aquáticos este também está relacionado com um elemental em especifico.)
Ninfas – Não tenho propriamente uma descrição física, mas estas são o elemental aquático “base” da civilização greco-latina, creio ser exactamente este o ser a que se refere o Comte de Gabalis sempre que fala dos elementais de agua. São possuidoras de grandes conhecimentos e inspiram os homens, um pouco como as musas.
Segundo Hesiado vivem até aos 933120 anos mas Plutarco defende que apenas vivem até aos 9620 anos.
Náiades – Basicamente outro nome para Ondina, mas estas têm uma conotação mais mística.
Roussalkas – Vivem no mar Negro e têm a aparência de uma Náiade com uma grande cabeleira loura, um dos seus braços termina numa mão humana e o outro numa barbatana, isto na sua forma “original” pois na verdade estas podem mudar de forma. Estas podem viver vários anos fora de água, procurando um companheiro humanos jovem, graças a um pente mágico que ela usa para invocar agua em qualquer lugar que esteja. Dizem que são as almas de crianças não baptizadas ou então as de virgens afogadas, na Primavera costumam reunir-se nos campos e florestas para dançarem com coroas de flores no seu cabelo. Compõem canções maravilhosas.
Vodianoi – Têm cabelos verdes e os corpos inchados como os dos afogados, banham-se junto aos moinhos de água. Os que as surpreendem são atingidos de imediato por hidropisia.
Fossegrim (Noruega) – Parecem-se com uma bela Náiade de 30 cm, com cabelo dourado. Escondem-se atrás das cataratas e cantam de forma maravilhosa, de tal forma que nenhuma criança que a ouça consegue manter-se afastada
Akkruva (Lapónia) – É como uma sereia dos rios, que trás sempre atrás de si um grande rasto de peixe.
Sacien (Lapónia Russa) – Um estranho ser pálido com longa cabeleira negra que vive nos rios e lagos. Quando é surpreendida costuma mergulhar na água deixando o seu pente e madeixas de cabelo para trás.
Vouivres, Wivres, Wouivres, Guivres – Aparentam-se com Náiades mas com a particularidade de terem um rubi na testa, que retiram e escondem nas ervas antes de mergulharem nas águas. Quem encontrar este rubi torna-se rico e poderoso com a condição da Vouivre não o apanhar outra vez. Têm a particularidade de se transformarem num dragão ou numa serpente alada cuspidora de fogo.
Feiticeiras das Aguas, Macroles d’Ainer, Marluzene, Blanquettes, Fenettes – Seres meio mulher meio peixe que atacam barcos de pescadores com as suas cauda, tentando-os fazer tombar, para de seguido comer os seus ocupantes.
Escondem-se nas pequenas ilhas lodacentas e cobertas de canas que emergem dos rios. Belas com olhos verdes e longas cabeleiras, quem vir uma tem a certeza de morrer nesse ano.
Têm o hábito de dançar à meia-noite à luz de lua.
Damas das Fontes – São mais parecidas com fadas do que com elementais aquáticos, mas não deixam de ser espíritos elementares de água ao passo que as fadas são espíritos elementares aéreos.
Causam loucura instantânea a quem se mostram. Ao contrário dos outros elementais de água, estas não habitam onde há água, mas antes, água surge onde elas habitam, caso se mudem a sua fonte seca e surge uma nova na sua nova morada. As aldeias nas imediações destas fontes têm sempre grande prosperidade.
Têm domínio completo sobre as suas águas, podendo tecer nela feitiços, como que quem beber de agua perca a fala ou então fique curado de todos os males, etc...
Geralmente vestem sempre o branco.
Nixes – Habitam as águas mortas e estagnadas, têm cabelo tão brilhante como o reflexo do sol na superfície da água. Estão condenadas a expiar eternamente uma culpa ancestral e vingam-se nos humanos, seduzindo-os e arrastando-os para as suas águas sombrias.
São mulheres completas e a sua arma de sedução é a dança. Vão aos bailes dos humanos para procurarem as suas vítimas, quem dançar com as Nixes corre invariavelmente para o túmulo.
Disfarçam-se de ricas aristocratas estrangeiras muito doces e sensíveis ou então de humildes camponesas.
Para identificar uma Nixe, estas têm alguns detalhes particulares: os olhos são de verde profundo e indefinido como as águas mortas, têm um corpete de escamas, a cintura é de serpente e a orla de sua saia está sempre molhada.
Estão subjugadas ao Rei Nix que as trata com pulso de ferro.
Nixs, Nickers, Nickelmann, Wassermann – O masculino das Nixes. São homens velhos, barbudos, com dentes verdes, orelhas e pés disformes. Habitualmente usam um chapeou verde.
Podem transformar-se em jovens com longos cabelos louros. Vão para os bailes e tocam música de tal forma que todos os presentes ficam de imediato enfeitiçados. As suas vítimas são as mulheres que eles levam para as suas habitações subaquáticas e obrigam-nas a casar com eles.
Selkies ou Mulheres-Foca – Originais das Ilhas de Shetland. São geralmente raparigas extremamente belas que vestem peles de foca para mergulhar no oceano, o seu verdadeiro habitat. Se um homem por acaso encontra uma dessas pelas enquanto a Selkie está em terra (esta mudança de agua para terra costuma dar-se na noite de São João) então esta ficará sobre o seu poder, para fazer o quer que ele queira, desde que esta não volte a encontrar a pele. São seres muito meigos e dóceis, e os seus filhos com humanos nascem para ser grandes marinheiros, profundamente apaixonados pelo mar.
Kelpies ou Each-Uisg – Habitam os lagos da Escócia e têm a capacidade de mudar de forma para seduzir as suas vítimas. Tanto dizem que matam os homens que seduzem, como dizem que apenas os levam para debaixo das águas para viverem junto com elas. Entre os seus métodos o mais popular é o de se transformarem em belos cavalos negros, cuja pele é como cola e levar as suas vítimas para os lochs, esta técnica é frequentemente usada pelos machos da espécie.
Nuckelavee – Este deve ser o elemental mais estranho e bizarro que conheço. É originário da Escócia, das ilhas de Orkney, e é um eco da antiga religião local. É da família de monstros disformes conhecida como Fuath, mas o seu aspecto ultrapassa o de todos estes, é um cavalo com um único olho injectando de sangue, vermelho como uma chama, uma boca monstruosa com bafo fétido e mortal (mata tudo, deste animais a vegetais) e uma espécie de barbatanas nas patas, nas costas do cavalo cresce um torço humano, a imensa cabeça deste está apoiada sobre um pescoço fino que a suporta com dificuldade. A sua boca prolonga-se como o focinho de um porco. Os seus braços são longos quase tocando no chão e estão munidos de garras. Como se não bastasse este não tem pele, estando a sua carne vermelha exposta, as suas grossas veias amarelas bombeiam um líquido negro e viscoso pelo seu corpo. São-lhes atribuídas toda a espécie de catástrofes naturais, desde secas, pestes, a granizo. A parte mais estranha deste elemental é o facto deste, embora habite no oceano, ter horror a água fresca, nunca é visto em dias de chuva, sendo o único poder capaz de o travar a entidade conhecida como “Mither o' the Sea”, a mãe do mar, cuja personificação é o oceano de Verão. “Mither o’the Sea” é o ser responsável pela reabilitação da terra depois do flagelo do espírito do Inverno, Teran. Estas são as entidades mais antigas conhecidas do folclore Orcadiano.
Em soma, o Nuckelavee um monstro cruel, a sua única ambição é espalhar o terror e a destruição, é pura malícia, um demónio dos mares.
(Também se pode considerar que esta Mither o’the Sea é um elemental, mas o seu estremo poder torna-a mais numa divindade do que um simples elemental, portanto não a vou incluir nesta lista)
Mari-Morgans – Tipo de sereia Bretã, cujo corpo é completamente humano. Costumam passar o seu tempo nas margens do mar, nas entradas de cavernas e na foz dos rios. Muito descaradas e experientes na ciência dos malefícios, perseguem os jovens com as suas solicitações amorosas. Estes, ou outros que elas encontrem, como náufragos, são levados para os seus palácios subaquáticos para aí se casarem com a Mari-Morgan e satisfazerem os seus desejos.
Estes sumptuosos palácios podem agrupar-se em reinos, alguns da extensão de países.
Morgans (machos) e Morganes (fêmeas) – Novamente da Bretanha, sobretudo da ilha de Ouessant. São seres de baixa estatura, mas graciosos. Costumam ser vistos a pentear os seus longos cabelos ao luar, com pentes de marfim, enquanto expõem os seus tesouros num lençol branco á sua frente. São geralmente gentis como anjos.
Merrow, Moruadh ou Moruach (Irlanda) – Têm a aparência de uma sereia vulgar e a semelhança desta também usam um barrete vermelho de plumas. São músicas estupendas, sendo o seu instrumento de eleição a harpa. Muito sedutoras e em constante procura por um marido, mas extremamente vingativas se forem traídas.
Encantados – Metade anjo, metade serpente (não me perguntem), habitam nas pedras sagradas, mergulham a sua roupa nas fontes feéricas.
Gollières à Noz, Mille-Lorraines, Villes.Lorraines ou Lavadeiras da Noite – Este é um ser amplamente distribuído, dês a França, Suiça á Baixa Normandia. É uma estranha fada que se reúne em grupos para lavar roupas. Alguém que passe por elas é convidado a auxiliar, mas se este recusar, ajudar de mau gosto ou trabalhar mal, elas partem-lhe os braços e afogam-nos. As águas que elas usam tornam-se magicas e mais tarde, a roupa lavada nelas, torna-se branca sem a uso de sabão ou lixívia.
Kannerez-Noz – Um tipo especial de lavadeira da Noite. São os espíritos amaldiçoados de mães infanticidas. Todas as noites têm de lavar as roupas ensanguentadas dos seus filhos mortos.
Por ultimo, depois de alguma procura, vou poder apresentar o que poderá ser chamado de um elemental aquático Português, é o caso do ser chamado de “Moura”.
Pelo meu conhecimento este é um ser de muito difícil definição, trata-se de um eco esbatido e difuso de uma série de tradições ancestrais, oprimidas e reprimidas pela igreja contra os cultos “Pagãos”. O que escapou dessa opressão é um misto de seres, aglutinados juntos, sobre o mesmo nome. O actualmente é definido por “Moura” é uma mistura estranha de fadas e elfos (elementais aéreos), Ondinas (elementais aquáticos) e até de Gnomos (elementais terrestres).
As Mouras actualmente são divididas do seguinte modo: benéficas e maléficas e Mouras Encantadas e Mouras Fiadeiras.
As Mouras Encantadas são as que mais interessam neste caso, são seres mágicos associados a um determinado local, como ruínas, montanhas, cavernas, poços, lagos ou fontes (os três primeiros casos, digo eu, puderam associar-se ás Mouras “fada” enquanto os restantes ás Mouras “Ondina”). Geralmente encontram-se em estado latente até uma determinada sequência de acontecimentos lhes quebre o “encanto”. Segundo a sabedoria popular, algumas podem transformar-se em serpentes o que levou no séc. VI a serem confundidas com as Lamias. Estas Mouras também estavam encarregadas de guardar tesouros (Mouras “Gnomo”) deixados pelos Mouros, o que é um disparate pois estes seres são muito anteriores aos povos invasores muçulmanos. Estes sim estão por detrás de outro tipo de Mouras Encantadas, contam inúmeras lendas que Mouros (homens de religião muçulmana) na Península Ibérica, ao verem a sua derrota iminente ás mãos dos Cristãos, encantavam as suas próprias filhas e escondiam-nas em cavernas e poços, para as manter seguras dos soldados, muito poucas eram recuperadas, estando ainda hoje em latência por todo o território.
As Mouras Fiadeiras estão associadas a lendas de construção. Pois estas enquanto ajudavam a construção milagrosa de uma qualquer estrutura levavam com elas uma roca á cinta.
Muito provavelmente este nome vem do grego “moira”, que significa “destino”.
Em soma, são seres muito complexos e um tesouro folclórico, embora as suas características são difusas não devemos olhar para as mouras como uma aglutinação de mitos, isso seria um desrespeito para as próprias e para a cultura popular. Temos de nos lembrar que no reino da crença, nada mais existe para alem da crença, assim se o povo acreditar que a Moura é real e um ser individual, distinto de todas as fadas Ondinas e Gnomos, então a Moura é de facto um ser individual e único.